Frete marítimo Brasil-China quadruplica e inviabiliza negócios

Aumento do valor é resultado da falta de cointêneres

Folha de São Paulo – 29.dez.2020 às 23h31

O frete de contêineres no trecho Brasil-China, que girava em torno de US$ 2.500 (R$ 12,9 mil) antes da pandemia, quadruplicou e superou US$ 10 mil (R$ 51,9 mil) em dezembro no Norte do país, segundo dados da empresa de transporte ES Logistics. No porto de Santos (SP), o valor gira em torno de US$ 7.300 (R$ 37,8 mil), com perspectiva de ultrapassar cinco dígitos em janeiro. A viagem encarecida já afeta exportação e importação e inviabiliza negócios no Brasil.

Esfriou “Tem exportador de ar-condicionado em Manaus (AM) que suspendeu todos os pedidos de janeiro. No Sul, importadores de cobertor pagam pelo produto importado US$ 19 mil. Não faz sentido gastar metade do preço desse bem em frete. Também suspenderam”, diz Fabiano Ardigó, diretor da ES Logistics.

Aqueceu Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, afirma que o cenário é reflexo do retorno do comércio exterior do país asiático. “Os mercados voltaram a comprar e vender para a China, mas agora faltam contêineres. É recente, mas já há quem não consiga exportar, e isso pesa no bolso.”

Freio O presidente da Abidip (associação dos importadores de pneus), Ricardo da Costa, diz que as importadoras transferem o preço para as montadoras. “O jogo de pneus de um carro popular, que custava R$ 1.000, subiu 30%. Em janeiro, vai a R$ 2.000”, afirma.

Pé frio O setor têxtil também já sente os efeito. Segundo Edmundo Lima, presidente da Abvtex (associação do varejo têxtil), o frete deverá encarecer as roupas de inverno do ano que vem. Já fabricantes de eletrônicos relatam aumento de 90% a 200% no valor do frete, segundo a Eletros, que representa o setor.

No escuro Embora a falta de contêiner seja crítica no trecho Brasil-China, há entrave em outros países. “Tive que trazer produto da Alemanha por avião para entregar no prazo. Também fiquei com produto preso por um mês no Canadá”, diz Daniel Pansarella, sócio da Fusion Trade, companhia de importação de equipamentos para geração de energia solar.

Sobe A Camex (Câmara de Comércio Exterior) manteve o direito antidumping na compra de resina de polipropileno vinda da Índia, com sobretaxa de 6,4% a 9,9%. O composto é usado em embalagens, potes e seringas plásticas.

Desce A sobretaxa aplicada a uma empresa sul-africana foi reduzida de 16% para 4,6%, e o antidumping sobre a Coreia do Sul foi encerrado.

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